O desenvolvimento da escrita jornalística

Por Carolina Magalhães, Isadora Martinelli, Luna Costa, Marina Ventura e Paula Lopes

A escrita é uma prática própria das sociedades humanas, tendo sido desenvolvida historicamente por elas. Pode ser globalmente caracterizada como a ocorrência de marcas numa superfície.
Apesar de habitualmente a função atribuída à escrita seja a de registro de informações, não se pode negar sua relevância para a difusão destas e a construção de conhecimentos. O avanço das novas tecnologias e as interações entre diferentes suportes (papel, tela) tem colaborado para a democratização da informação.
Mas nem sempre foi assim. A informação era pouco difundida, já que não havia nem um meio de comunicação institucionalizado, além de muitas vezes ser pouco confiável. Foi a partir do século XV, uma série de fatores políticos, econômicos e intelectuais aumentaram notavelmente a sede de notícias no Ocidente graças ao Renascimento, as Reformas, os processos de troca bancárias e comerciais.
A imprensa periódica só nasceu mais de um século e meio após a invenção da tipografia, tendo sido um verdadeiro florescimento de escritos de informação dos mais diversos. Desde o século XVI, pelo menos, as notícias já tinham se tornado uma mercadoria. O nascimento dos periódicos, impressos, contudo, não provocou o desaparecimento dos escritos informativos não-periódicos.
Com o surgimento dos diferentes tipos de jornais, as notícias eram poucos confiáveis. As pequenas Gazetas, no início do século XVII, forneciam informações irrelevantes, publicavam apenas artigos e comentários, mas estenderam seu campo de informação a todos os aspectos da vida social e cultural.
Porém, paralelamente ao fortalecimento da imprensa, a censura passa a ser mais expressiva. É evidente que já havia uma repreensão devido à publicação de folhetos anticlericais e de outros materiais críticos.
A partir de 1482, a igreja católica emitiu os primeiros editais de censura. Cinco anos depois, o papa decretou que ninguém poderia publicar nada sem a revisão da Cúria romana. A legitimidade da censura não foi desafiada até o século XVIII (Revolução Francesa), dando à luta pela liberdade de imprensa um caráter essencialmente burguês.
Assim, o jornalismo foi sempre marcado por uma luta pela liberdade tanto na Europa, Estados Unidos e no Brasil, apesar de passar por diferentes etapas. No caso mais específico do Brasil, segundo o autor Sebastião Breguez, o jornalismo brasileiro passou por cinco distintas fases de desenvolvimento.
A primeira etapa chamada de Jornalismo literário vai do surgimento da imprensa no Brasil até o final do século XIX. Para o autor Juarez Bahia, nesse momento o jornal e a literatura se influenciaram.
A segunda fase é conhecida como Jornalismo informativo estético, que começou se definir por volta de 1880. Aqui a informação começa a ser vista como um produto e os acontecimentos políticos, econômicos e sociais passam a ocupar espaços antes preenchidos pelos meros debates. Os veículos passam a ser portadores dos interesses da classe produtora e das camadas médias. É o fim da imprensa artesanal.
Já na terceira fase, no período entre guerras, o Jornalismo informativo utilitário, corresponde a todo um período de afirmação da imprensa brasileira. Adota-se o uso de imagens (fotografias e ilustrações) e a buscar novo padrão visual que pudesse agregar algo mais que o fato, a notícia e a informação. Não basta mais apenas divulgar a informação, é preciso envolve-las em um novo material, em algo que concorresse com a “velocidade” do rádio.
Durante as décadas de 1960 e 1970, surge a quarta etapa, o Jornalismo Interpretativo e com ela começa a ditadura do lead. O primeiro parágrafo do texto passou a conter as principais informações da matéria. Mas a concorrência com o rádio e a TV levou os jornais a repensar a prática e abrir espaços para novos estilos. Algumas empresas investiram nas revistas de reportagem, espaços em que são permitidos textos mais flexíveis e interpretativos.
A quinta e última fase é representada pelo modelo atual: o Jornalismo Plural. Este não seria um estilo, mas um modelo em que cabem diversos estilos. Ele seria resultado de uma nova realidade dos meios de comunicação, em que a informatização das informações e o surgimento da internet alteram profundamente o conceito de notícia.
Além disso, atualmente, há inúmeras técnicas de escrita adotadas pelo jornalismo. Uma delas é a hierarquização das informações, apresentando-as no texto em ordem decrescente de importância. Esta técnica tem o nome de pirâmide invertida, pois a “base”, por conter as informações mais relevantes, fica no inicio do texto e o “vértice”, que seria a parte menos importante, se encontra ao final do texto.
A noticía bem como a matéria é subdividida em “capítulos” agrupados por tema, chamados retrancas e sub-retrancas, ou matérias coordenadas.
Há um extremo cuidado com a imparcialidade, sendo essa preocupação expressa através da incessante busca por fontes seguras que tenham opinioes divergentes sobre o mesmo assunto. Essa precaução é recente bem como a ética, que hoje é primordial em qualquer trabalho jornalístico.
O jornalista moderno narra uma história em que ele fica de fora apenas como observador, ou seja, como se fosse uma câmera. É evidente que o jornalista escolhe um ângulo para contar o fato ocorrido, acabando por, de um modo ou de outro expressando sutilmente sua visão. A imprensa também conta hoje em dia com a reportagem que afirma a seguridade das informações passadas, tirando o caráter opinativo de como começou o jornal.
Um fato interessante a se analisar é que, apesar da evolução da tecnologia e o surgimento do jornalismo online, que parece dar um novo ar de informalidade e democratização da informação, as noticias, artigos e matérias continuam com o mesmo formato e objetivo.
O jornal foi ganhando credibilidade ao longo de sua história. Hoje, é considerado uma das, senão a maior, formas mais seguras de saber sobre o que acontece no mundo. Assim, pudemos analisar que o seu mérito não nasceu de um dia pro outro, mas sim de uma construção trabalhosa e honrosa da imprensa ao longo dos anos.

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Uma resposta para “O desenvolvimento da escrita jornalística

  1. Muitos assuntos, mas mal explicados. Vocês falaram mais sobre a história do jornal do que sobre o desenvolvimento do texto (escrita) do jornal.

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