O Futuro do Jornal

Por Diogo Ramalho, Alessandra Farina, Gaya Correira, Ana Ghetti e Emylinn Lobo

Introdução

Há séculos a civilização vem usando a mídia impressa para divulgar noticias e informações para as massas. Mas, nas últimas décadas, as tecnologias de comunicação deram um salto. O jornal, que antes era a principal fonte de informação, agora compete com o rádio, a TV e a internet. Essa concorrência, apesar de ter melhorado a qualidade dos meios de comunicação, distribuiu o público entre os mesmos. Por isso, muitas questões são levantadas sobre o futuro do jornal impresso. Será que o mais tradicional meio de comunicação sobreviverá a Era Digital?

O papel e os problemas do jornal de hoje

Há algum tempo uma propaganda estampou outdoors em vários lugares do Rio de Janeiro. A frase era clara, com uma linguagem simples e concisa, assim como deve ser um texto jornalístico. Já a mensagem era de um alto teor reflexivo:“Qual o papel do jornal de papel?”. Ao lado da frase, ora estava a socialite Narcisa Tamborindeguy, ora o cartunista Jaguar, ora o cronista Milton Cunha.
Há quem diga que o jornal de papel serve apenas para forrar fundo de gaiola de passáros, embrulhar peixe e ovos ou servir de “banheiro” para poodles de apartamento, mas o fato é que milhares de jornais invadem casas, ônibus, escritórios e participam, junto ao pão e leite, do desjejum diário dos brasileiros.
Diante de um povo que, em sua maioria, teve pouco acesso à educação -principalmente a de qualidade-, o jornal diariamente informa e estimula a capacidade de análise, sendo muitas vezes a única fonte de leitura deste povo. Com isso, a responsabilidade do jornal aumenta. Bem mais que informar, no Brasil, o jornal tem o papel de formar cidadãos conscientes de tudo o que acontece ao seu redor, capazes de pensar, julgar e decidir.
Contudo, hoje o jornal passa por um período delicado. Muito se fala do futuro do jornal impresso, da disputa com a geração internet e de um possível fim deste tipo de jornal nos moldes que vemos hoje. Apesar dessa discussão ser altamente válida, é importante que as atenções se virem para os motivos que fazem o jornal perder espaço. Formatos mais práticos para serem carregados, além de uma linguagem mais clara, irreverente e didática nas editorias que não têm tanto sucesso quanto as mais populares ajudariam e acabariam com o paradigma de que a maioria não gosta de política e economia, ou que só gosta de ler sobre esportes, novelas e tragédia. Eles lêem o que entendem e se nas editorias de política e economia, por exemplo, não há como entender a linguagem, a página é virada.

Novas tecnologias e estatísticas históricas

Com o passar do tempo e os meios de comunicação surgindo e evoluindo, o jornal se viu obrigado a adaptar-se para não se tornar obsoleto. O rádio explodiu no cenário da mídia nos anos 20, e para não ficar para trás os editores renovaram os formatos e conteúdos de seus jornais a fim de torná-los mais atraentes, aumentando também o volume dos textos para oferecer uma cobertura mais ampla e de maior profundidade.
Mas assim que os jornais conseguiram se adaptar à novidade do rádio, viram-se obrigados a fazer uma autoavaliação à luz de um novo e poderoso veículo: a televisão. Entre 1940 e 1990, a circulação de jornais nos EUA caiu de um jornal para cada dois adultos para um para cada três adultos. Apesar da queda brusca, a onipresença da televisão não tornou o jornal obsoleto. Alguns jornais, como o USAToday, responderam aos avanços tecnológicos através do uso da cor e mediante artigos “curtos, rápidos e objetivos” como as matérias oferecidas pela televisão.
A atual revolução tecnológica gera novos desafios e oportunidades para a mídia tradicional. Nunca houve tantas informações disponíveis para tantas pessoas. Em fins dos anos 90, havia cerca de 700 sites na Internet; hoje se contam aos milhares.

Jornal X Internet

Atualmente, a relação entre o jornal impresso e a Internet oscila entre um mutualismo e uma competição. As publicações eletrônicas são muito mais interativas do que as impressas e têm custo reduzido também. Para Steve Outing, jornalista estudioso de novas tecnologias, os jornais digitais não substituirão as edições impressas. Consciente de que a circulação dos produtos impressos tende a diminuir no futuro com a popularização em larga escala do acesso à internet, ele considera o jornal digital mais do que uma ameaça, diz que representam um importante instrumento complementar para as empresas jornalísticas.

Jornal X Rádio

O rádio jornalismo é a mídia mais acessível em relação ao jornal, pois proporciona facilidades culturais e financeiras. Se contarmos com o acompanhamento diário das publicações, em geral, o custo final mensal sai relativamente caro, enquanto para acompanhar as notícias pelo rádio basta adquirir o aparelho. Além disso, este proporciona a comodidade de se ouvir à notícia dispensando a leitura, o que para muitos ainda hoje é uma barreira e para outros um incômodo (quando se está em movimento ou em meios de transporte ).Esta mídia, no entanto, possui também desvantagens em relação ao meio impresso: não proporciona a ilustração da informação, geralmente não aborda os assuntos com tanta profundidade e é extremamente volátil, uma vez que não se repete, não se pode relê-la.

Jornal X TV

O telejornalismo também torna mais fácil o acesso à informação por dispensar a leitura e por só necessitar do aparelho. Além disso, a TV conta com recursos de vídeo que ilustram as notícias de maneira mais completa seja com imagens reais ou com reconstituições. O jornal conta apenas com fotos em impressões de baixa qualidade (em relação à TV). No entanto, por sua vez, a informação transmitida pelos telejornais sofrem a mesma volatilização daquela transmitida pelas rádios, que a do jornal não sofre.

Jornal X TV + Internet + Rádio

O jornal conta com uma desvantagem grave em relação a essas outras três mídias. É essa desvantagem que nos faz repensar o seu papel. Hoje, a mídia impressa já quase não nos traz novidades, apenas uma revisão do que os outros meios, por contarem com a atualização em tempo real, já transmitiram.

O Jornal no Brasil

Não é novidade para ninguém que a leitura de jornais vem aumentando bastante nos últimos anos. Apesar de os jornais considerados Standard serem os mais informativos e completos, as vendas dos Tablóides é que esta crescendo, mostrando a necessidade e vontade da população de se informar. Liderando o ranking de vendas, está “Folha de S.Paulo”, que é o maior do Brasil. Devido às vantagens oferecidas pelas empresas, os números de assinaturas de jornais estão crescendo consideravelmente. De todos os exemplares vendidos diariamente, 51% são assinados por famílias, nas quais, quase sempre, o homem é o maior leitor.

O Jornal no Mundo

A tradição do jornal impresso é bastante antiga e conservada. O primeiro jornal criado e que continua em circulação é o “Post och Inrikes Tidningar”, da Suécia, criado em 1645. Casos como esse evidenciam o poder e força que a informação vinda pela folha de papel tem para a sociedade antiga e contemporânea. Na atualidade, os maiores leitores de jornais são os cidadãos de Aruba, com 93 cópias vendidas a cada 100 habitantes. Os jornais internacionais são muitas vezes causadores de polêmicas e responsáveis por grandes escândalos. “Meus médicos me disseram esta manhã que a minha pressão baixou. Então, posso voltar a ler os jornais”, disse o ex-presidente americano Ronald Reagan.

A opinião dos jornalistas e leitores

As previsões para o fim do jornal impresso aumentam, diante de um “batalhão” de outras mais tecnologias que chegam com fácil acesso ao leitor. Dessa forma, muitos dizem que a “nova era” de informação vai, simplesmente, dominar o espaço em que o “jornal de papel” ocupa. Já outros, acreditam na credibilidade e na continuidade do tradicional jornal. Segundo o jornalista Marcus Cavalcante, em artigo exibido em seu próprio blog diz que, particularmente, acredita que o jornal impresso terá vida longa, mas que haverá mudanças radicais no modo de impressão, pelo fato de estar competindo com grandes concorrências. Uma dessas mudanças que Marcus vislumbra é a impressão eletrônica, na qual consiste em uma telinha fina que o leitor poderia carregar debaixo de seus braços e que poderia ter até um mecanismo para dobrar páginas. Para o jornalista, as profissões de gazeteiro, distribuidor de jornal, empacotador e outras que vivem para fazer circular a notícia com assinantes e bancas de jornal, se acabarão. Porém a de jornalista de impresso, nunca. Acredita que além da credibilidade o veículo garante ao leitor uma grande comodidade.
Para alguns leitores, o fim se encontra distante, já que o acesso à Internet para uma grande parte do Brasil é restrito. Outros acreditam que para continuar no mercado o jornal terá que inovar. “O jornal impresso tem um futuro, mas ele vai ter que inovar no formato e matérias para não ficar obsoleto. Com o avanço da Internet também foram feitas especulação sobre o fim dos livros e eles continuam aí, com ótimas publicações todo dia. Em relação à credibilidade, o jornal impresso é mais confiável que a informação virtual, que além de ser bastante volúvel, possui fontes que nem sempre são confiáveis” afirma Bárbara Santiago, estudante de jornalismo na UFF.

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Uma resposta para “O Futuro do Jornal

  1. O texto está bom, a abordagem completa. Mas existem algumas incoerências. No fim, um jornalista diz que o jornal impresso migrará para uma tela dobrável. Isso não é o fim do papel?

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