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Os jornais mudam mesmo de aparência

Setembro 6, 2008 · Deixe um comentário

O modo como o jornal é produzido e sua aparência já mudaram muito. Das impressões com letras em chumbo, até as modernas impressoras, o time dessa mídia já foi mexido diversas vezes. Gráficos, fotos, mudanças no design, destaque das notícias; as mudanças são notáveis.

Abaixo, pode-se observar a evolução do jornal britânico “The Times”, um dos mais antigos do mundo.

Jornal "The Times" de 27 abril, 1865

Primeira página atual do "The Times"

Primeira capa atual do "The Times"

Para os curiosos, o site do The Times oferece um acervo de todas as matérias já publicadas no jornal desde 1789. É uma ótima pedida para acompanhar a evolução de um dos principais jornais do mundo.

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O desenvolvimento da escrita jornalística

Junho 19, 2008 · 2 Comentários

Por Carolina Magalhães, Isadora Martinelli, Luna Costa, Marina Ventura e Paula Lopes

A escrita é uma prática própria das sociedades humanas, tendo sido desenvolvida historicamente por elas. Pode ser globalmente caracterizada como a ocorrência de marcas numa superfície.
Apesar de habitualmente a função atribuída à escrita seja a de registro de informações, não se pode negar sua relevância para a difusão destas e a construção de conhecimentos. O avanço das novas tecnologias e as interações entre diferentes suportes (papel, tela) tem colaborado para a democratização da informação.
Mas nem sempre foi assim. A informação era pouco difundida, já que não havia nem um meio de comunicação institucionalizado, além de muitas vezes ser pouco confiável. Foi a partir do século XV, uma série de fatores políticos, econômicos e intelectuais aumentaram notavelmente a sede de notícias no Ocidente graças ao Renascimento, as Reformas, os processos de troca bancárias e comerciais.
A imprensa periódica só nasceu mais de um século e meio após a invenção da tipografia, tendo sido um verdadeiro florescimento de escritos de informação dos mais diversos. Desde o século XVI, pelo menos, as notícias já tinham se tornado uma mercadoria. O nascimento dos periódicos, impressos, contudo, não provocou o desaparecimento dos escritos informativos não-periódicos.
Com o surgimento dos diferentes tipos de jornais, as notícias eram poucos confiáveis. As pequenas Gazetas, no início do século XVII, forneciam informações irrelevantes, publicavam apenas artigos e comentários, mas estenderam seu campo de informação a todos os aspectos da vida social e cultural.
Porém, paralelamente ao fortalecimento da imprensa, a censura passa a ser mais expressiva. É evidente que já havia uma repreensão devido à publicação de folhetos anticlericais e de outros materiais críticos.
A partir de 1482, a igreja católica emitiu os primeiros editais de censura. Cinco anos depois, o papa decretou que ninguém poderia publicar nada sem a revisão da Cúria romana. A legitimidade da censura não foi desafiada até o século XVIII (Revolução Francesa), dando à luta pela liberdade de imprensa um caráter essencialmente burguês.
Assim, o jornalismo foi sempre marcado por uma luta pela liberdade tanto na Europa, Estados Unidos e no Brasil, apesar de passar por diferentes etapas. No caso mais específico do Brasil, segundo o autor Sebastião Breguez, o jornalismo brasileiro passou por cinco distintas fases de desenvolvimento.
A primeira etapa chamada de Jornalismo literário vai do surgimento da imprensa no Brasil até o final do século XIX. Para o autor Juarez Bahia, nesse momento o jornal e a literatura se influenciaram.
A segunda fase é conhecida como Jornalismo informativo estético, que começou se definir por volta de 1880. Aqui a informação começa a ser vista como um produto e os acontecimentos políticos, econômicos e sociais passam a ocupar espaços antes preenchidos pelos meros debates. Os veículos passam a ser portadores dos interesses da classe produtora e das camadas médias. É o fim da imprensa artesanal.
Já na terceira fase, no período entre guerras, o Jornalismo informativo utilitário, corresponde a todo um período de afirmação da imprensa brasileira. Adota-se o uso de imagens (fotografias e ilustrações) e a buscar novo padrão visual que pudesse agregar algo mais que o fato, a notícia e a informação. Não basta mais apenas divulgar a informação, é preciso envolve-las em um novo material, em algo que concorresse com a “velocidade” do rádio.
Durante as décadas de 1960 e 1970, surge a quarta etapa, o Jornalismo Interpretativo e com ela começa a ditadura do lead. O primeiro parágrafo do texto passou a conter as principais informações da matéria. Mas a concorrência com o rádio e a TV levou os jornais a repensar a prática e abrir espaços para novos estilos. Algumas empresas investiram nas revistas de reportagem, espaços em que são permitidos textos mais flexíveis e interpretativos.
A quinta e última fase é representada pelo modelo atual: o Jornalismo Plural. Este não seria um estilo, mas um modelo em que cabem diversos estilos. Ele seria resultado de uma nova realidade dos meios de comunicação, em que a informatização das informações e o surgimento da internet alteram profundamente o conceito de notícia.
Além disso, atualmente, há inúmeras técnicas de escrita adotadas pelo jornalismo. Uma delas é a hierarquização das informações, apresentando-as no texto em ordem decrescente de importância. Esta técnica tem o nome de pirâmide invertida, pois a “base”, por conter as informações mais relevantes, fica no inicio do texto e o “vértice”, que seria a parte menos importante, se encontra ao final do texto.
A noticía bem como a matéria é subdividida em “capítulos” agrupados por tema, chamados retrancas e sub-retrancas, ou matérias coordenadas.
Há um extremo cuidado com a imparcialidade, sendo essa preocupação expressa através da incessante busca por fontes seguras que tenham opinioes divergentes sobre o mesmo assunto. Essa precaução é recente bem como a ética, que hoje é primordial em qualquer trabalho jornalístico.
O jornalista moderno narra uma história em que ele fica de fora apenas como observador, ou seja, como se fosse uma câmera. É evidente que o jornalista escolhe um ângulo para contar o fato ocorrido, acabando por, de um modo ou de outro expressando sutilmente sua visão. A imprensa também conta hoje em dia com a reportagem que afirma a seguridade das informações passadas, tirando o caráter opinativo de como começou o jornal.
Um fato interessante a se analisar é que, apesar da evolução da tecnologia e o surgimento do jornalismo online, que parece dar um novo ar de informalidade e democratização da informação, as noticias, artigos e matérias continuam com o mesmo formato e objetivo.
O jornal foi ganhando credibilidade ao longo de sua história. Hoje, é considerado uma das, senão a maior, formas mais seguras de saber sobre o que acontece no mundo. Assim, pudemos analisar que o seu mérito não nasceu de um dia pro outro, mas sim de uma construção trabalhosa e honrosa da imprensa ao longo dos anos.

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