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Miriam Leitão fala bem sobre o fim da obrigação do diploma

Junho 21, 2009 · Deixe um comentário

Publicado em 20/06/2009, no blog de Miriam Leitão, colunista de economia do Globo:

Coluna no Globo

Curso parado no ar

Por Miriam Leitão

O que acabou foi a reserva de mercado. Não acabou a necessidade de qualificação, de aprendizado, de domínio da técnica, de acumulação do conhecimento para ser jornalista. A profissão não é trivial. O fim da obrigatoriedade do diploma deixou alguns colegas perplexos, confirmou a convicção de outros, mas ficou mal entendida a questão da formação do jornalista.

Eu amava o curso de História. Ele foi interrompido pela prisão. Quando pude voltar à universidade, já trabalhava em jornal há três anos. Fiz comunicação por obrigação, para ter o diploma, e detestei o curso. Aprendia jornalismo nas redações. Achava meus professores distantes da realidade e aquele ritmo da faculdade lento para a dinâmica nervosa da redação. Já Alvaro Gribel, que trabalha aqui na coluna, saiu do seu curso de comunicação com melhor impressão.

Esta semana, nas primeiras horas após a decisão do Supremo, recebi e-mails e telefonemas desconsolados. Uma antiga colega me pergunta o que deve escrever nos cadastros em que se questiona o nível educacional: “Superior inválido?” Jovens jornalistas acham que foram enganados, que poderiam ter feito outros cursos. Estudantes não sabem se continuam. Vestibulandos estão ainda mais confusos.

Calma gente. Nada mudou na verdade, apenas acabou a reserva de mercado que estabelecia barreiras inaceitáveis a pessoas com competência, conhecimento específico, especialização. As empresas insistiam, mas havia constrangimentos legais para ex-jogadores de futebol atuarem como comentaristas esportivos, ou médicos, advogados e economistas que ajudam no jornalismo de precisão.

Nas minhas décadas de redação conheci brilhantes jornalistas que fizeram e que não fizeram o curso; e incompetentes também dos dois grupos. É conhecido o caso de que os dois jornalistas do Watergate não tinham curso. Fora do jornalismo, também há casos eloquentes de pessoas que abandonaram os cursos que faziam e tiveram enorme sucesso: Bill Gates e Steve Jobs, por exemplo. Não se pode concluir daí que estudar é irrelevante porque o talento pessoal resolve tudo. Por isso, acho que essa divisão entre a torcida a favor do diploma e a torcida contra deixa algo parado no ar: como formar jornalistas?

Os ministros do STF expressaram uma visão desatualizada do jornalismo. Ele não é só literatura e arte. A definição romântica fazia mais sentido em outros tempos. Apesar de termos no nosso jargão a expressão “cozinha do jornal”, o paralelo com a culinária é impreciso.

Não é também uma daquelas técnicas banais que se aprende num manual de sete lições. Existem vários jornalismos, é difícil definir como ele é exercido atualmente nas várias mídias, nas ferramentas mutantes, nas regras que permanecem, no toque pessoal e intransferível, na rapidez irrecorrível, na tradução do complexo, no talento indispensável.

O medo de que “qualquer um” possa ocupar os postos é mais corporativista do que real. Não se pode improvisar uma redação com a complexidade de um produto que, em jornal impresso, de manhã não tem nada, de noite tem que estar pronto; na televisão, exige que o repórter grave a reportagem enquanto apura, e que editores em ilhas sincronizem imagens e áudios numa corrida contra o relógio; no online, o produto é instantâneo.

A tecnologia criou novas possibilidades para os “não” jornalistas. O citizen journalism e o i report, em que pessoas registram e postam o que só eles viram, enriquecem o jornalismo. A mídia social só ameaça as tiranias — como se vê no Irã — porque testemunha o que os jornalistas não puderam ver.

Os cursos sempre foram imperfeitos e incompletos. Mesmo assim, os estudantes tem lá uma iniciação que será útil quando eles entrarem de fato no cotidiano de uma redação. Os jornais e emissoras de TV e rádio hoje montam verdadeiros cursos para os estagiários, mas partem de uma base que foi dada pela universidade.

O fim da obrigatoriedade do diploma abre o debate interessante sobre a melhor formação do jornalista. No jornalismo econômico, ele tem que entender economia mas não pode virar um protoeconomista, prisioneiro dos preciosismos e jargões que só fazem sentido para o gueto. Economistas, sociólogos, advogados, cientistas precisam capturar a forma de transmitir o conhecimento deles de forma clara. E agora mais do que nunca é necessário o profissional que fique nas fronteiras do conhecimento e editorias, que fale de economia sabendo das mudanças climáticas; de política, entendendo as restrições fiscais, de cultura vendo as nuances sociais.

Acabou a obrigatoriedade do diploma, não acabou a necessidade de formação do jornalista. Os cursos de graduação e pós-graduação continuam a existir nos Estados Unidos mesmo sem haver a obrigatoriedade. Alguns com prestígio mundial, como os da Columbia. Na Alemanha, as emissoras de televisão selecionam profissionais de varias áreas e os treinam em cursos internos.

O importante é que do jornalista será exigido tanto formação, quanto talento; tanto técnica, quanto inovação. Parte disso será obtido em cursos de formação, parte será nas redações. Quem entender que a hora é de estudar menos, ficará para trás.

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Prometeus – A revolução da mídia

Maio 24, 2009 · Deixe um comentário

Provocante. Articula com sucesso vários dos debates importantes que estão acontecendo, inclusive a idéia de que a mídia pode vir a depender de financiamento público, o que seria o equivalente a um paciente de UTI entubado. O futuro parece brilhante e temeroso ao mesmo tempo.

Prometeus – A Revolução da Mídia – Legendado Português

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Plágio no jornalismo

Maio 10, 2009 · Deixe um comentário

Publicado no blog do Knight Center:

A revista Veja, na edição do dia 22 de abril, teria publicado matéria muito parecida com reportagem de quase um mês antes do Wall Street Journal, diz o Comunique-se. Estrutura e trechos do texto são idênticos, acrescenta o portal.

(…)

Para o diretor da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor), Frederico Ghedini, também consultado pelo Comunique-se, é difícil determinar o que é ou não plágio no jornalismo. “Mas mesmo que você não classifique, dá para saber quando é feito com a intenção de enganar o leitor, de se fazer passar pelo que você não é. Agora, mesmo que não configure crime de direito autoral, é moralmente condenável utilizar qualquer citação sem informar a fonte”, diz o especialista.

E você, o que acha? Como caracterizar o plágio no jornalismo?

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Como lidar com piratas de verdade

Abril 16, 2009 · Deixe um comentário

Do blog da Knight Foundation:

O sequestro de um capitão americano na costa da Somália colocou o tema da pirataria marítima no topo da agenda noticiosa mundial. Mas a cobertura dos “sequestros em alto mar” – através de texto, e-mail e telefone via satélite – é uma tarefa quase cotidiana para jornalistas locais e correspondentes estrangeiros no leste da África, informa a Reuters.

O resgate do capitão americano Richard Phillips foi um trabalho de “24 horas, que exigiu decisões morais e jornalismo sagaz”, escreve Andrew Cawthorme, da Reuters. No começo do incidente, os jornalistas da Reuters na Somália puderam contactar os sequestradores de Phillips no bote salva-vidas em que se encontravam. Os piratas emitiram mensagens desafiadoras, mas uma vez informados de que os seus cometários eram notícia em todo o mundo, o grupo tornou-se menos cooperativo. “Estamos cansados das suas chamadas. Não temos tempo para jornalistas”, disseram.

Cawthorne conta que os piratas podem ser amigávies e prestativos, mas odeiam a palavra “pirata”. Eles preferem ser chamados de “marinhas” ou “guardas costeiros”. O jornalista da Reuters conclui a sua reportagem com uma pergunta: “Estão os jornalistas fomentando a criminaldade quando falam com os grupos (de piratas) ou estão acrescentando à necessária compreensão do fenômeno?”.

Aqui vai um bom recurso sobre a cobertura da pirataria. Em 2006, o programa de mídia na Ásia, da Fundação Konrad Adenauer, organizou o workshop “Cobertura da Pirataria Marítima no Sudeste Asiático” e publicou um livro que pode ser baixado em formato PDF aqui.

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Jornais a perigo

Março 20, 2009 · Deixe um comentário

Morrendo?

Morrendo?

Segundo o USA Today, o jornal diário impresso, uma indústria de 170 anos, está ameaçado de desaparecer. Jornais tradicionais como o Seattle Post-Intelligencer, 146 anos, passaram a oferecer apenas a versão online. O Tucson Citizen, de 140 anos, deve ser fechado. Alguns prevêem que metade dos 1.400 jornais diários americanos podem fechar no futuro próximo.

Alguns analistas são otimistas e percebem o fenômeno como uma mudança necessária da indústria para se adaptar aos tempos online. Outros acham que blogs e sites que fornecem informações gratuitas não terão fôlego para fazer uma cobertura satisfatória do cotidiano do país ou pagar por reportagens mais profundas, aquelas que diferenciam os grandes veículos impressos.

Entre os otimistas está Steven Johnson, que prevê uma transição difícil mas não impossível para a velha mídia. Para ela, ele enxerga oportunidades em dois campos. O primeiro é  filtrar para o leitor a avalanche de notícias que a internet proporciona. O outro é se concentrar nas notícias locais.

Outros, acreditam que a internet vai polarizar as opiniões através de um fenômeno apelidado de ‘Daily Me’, a tendência de escolher notícias e comentaristas que reforçam nossa visão do mundo. Se for assim, a morte dos grandes jornais levará a um aumento de intolerância e a um antagonismo maior de ideologias. Tomara que não, e que o nos reserve um modelo de noticiário que respeite o contraditório e os fatos.

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Primeiro Encontro de Jornalismo 2.0

Novembro 18, 2008 · Deixe um comentário

  Em comemoração as 200 anos da imprensa no Brasil, será realizado o Primeiro Encontro de Jornalismo 2.0, no dia 28 de novembro, em Itu – SP. O evento pretende discutir o futuro do jornalismo no meio digital e reunirá grandes nomes do meio para “pensar coletivamente” questões como os próximos 200 anos da imprensa, o novo mercado de trabalho, o papel do consumidor neste novo formato e a relação da mídia social com as transformações humanas. O objetivo é escrever a Carta de Itu, com os princípios do jornalismo 2.0, que fará parte do livro Jornalismo 2.0, em 2009.

Gabriel Cariello

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3° Jornalirismo Debate

Novembro 10, 2008 · Deixe um comentário

Por Marcela Frotté Bopp Salomon

    No dia 26 de novembro, a partir das 19h30, no auditório do Senac Consolação, em São Paulo, o Jornalirismo e o Senac SP realizarão o debate “Popular versus Sofisticado?”. É o 3° Jornalirismo Debate, que vai discutir as possibilidades de diálogo entre essas duas abordagens na comunicação e cultura brasileiras. A moderação com o público será feita pelo jornalista Guilherme Azevedo, editor do Jornalirismo.

   Para responder aos questionamentos, foram convidados alguns dos principais estudiosos e produtores da cultura brasileira: o eudcador e filósofo Mario Sergio Cortella, o publicitário Celso Loducca, o jornalisjornalirismota e crítico musical Pedro Alexandre Sanches e o escritor e produtor cultural Alessandro Buzo.

    A entrada é solidária: 1 quilo de alimento não-perecível.
    As inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 4063 8810 e pelo e-mail
jornalirismodebate@eventar.com.br

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Novas tecnologias em jornalismo durante as eleições americanas

Novembro 7, 2008 · Deixe um comentário

Por Jeizzon Mendes

Parece que aproveitaram bem a corrida presidencial norte-americana para estrear novas tecnologias. Intregação da Rede de notícias CNN com a rede social Facebook e até uma campanha do Youtube para as pessoas gravarem vídeos do seu voto.

Mas vem da CNN a novidade mais interessante: a transmissão de uma pessoa via holograma. São usadas 35 câmeras de alta definição em volta da pessoa para criar o efeito, e o software transmite diretamente para o programa. Não é propriamente um holograma projetado no estúdio, mas uma simulação digital. Já é um “grande passo para a humanidade”.

Confira no vídeo:

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Seminário na PUC – Rio

Novembro 7, 2008 · Deixe um comentário

A PUC – Rio realizará um seminário no dia 14 de Novembro visando discutir a regulamentação da atividade jornalística, com base na ação civil pedida pelo Ministério Público. Três grandes nomes debaterão na universidade carioca: a jornalista da FENAJ – Federação Nacional de Jornalismo, Elizabeth Costa, o advogado geral da União e representante da OAB, Carlos José de Souza Guimarães, e o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Luiz Felipe Salomão. O evento terá início as 13 horas, no Edíficio Kennedy, na própria universidade.

Gabriel Cariello

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2 programas ao mesmo tempo na TV

Novembro 2, 2008 · Deixe um comentário

No último dia 30, a empresa norte-americana, Texas Instruments, anunciou o desenvolvimento de um dispositivo que permitirá o telesepectador assistir dois programas de TV ao mesmo tempo. O anúncio foi feito durante a Conferência de Engenheiros de TV e Cinema, junto com outras propostas para uso de tecnologia 3-D em entretenimento doméstico.

A tecnologia deve estar disponível no mercado até o final do ano e possibilitará aos usuários que optem por uma exibição 2-D, 3-D ou por um “modo combinado”, no mesmo aparelho. No caso da terceira alternativa, duas imagens diferentes são unidas na tela.

Gabriel Cariello

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