Notícias sobre notícias

Jornais: 10 passos para o futuro

Julho 9, 2008 · Não Há Comentários

1. Make the Web the primary product.
Stop pasting the newspaper onto a screen. Reorganize the newsroom so that its work appears online as quickly as possible. … And embrace the technology: news Web sites should be full of Web 2.0 goodness like interactive maps, social networking tools, RSS feeds, distribution to mobile devices, etc. Use the medium to its fullest. (Mark Potts)

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via ex-blog do César Maia

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Gravar com celular intimida menos

Junho 30, 2008 · Não Há Comentários

Debates sobre o quanto os aparelhos móveis podem ser ferramentas
para fazer um melhor jornalismo quase sempre acabam em apenas teoria.
Não é à toa, são poucas as empresas que praticam o que seria o chamado
“mobile journalism”.

Tammy Haddad, consultora de mídia da revista Newsweek, mostra na prática o quanto utilizar esses equipamentos pode ser positivo para o jornalismo. Ela mesmo está usando uma Sanyo para gravar reportagens em vídeo para a revista.

Segundo ela, gravar entrevistas com câmeras de mão ou celulares com câmeras de vídeo é melhor para arrancar declarações de fontes tímidas ou arredias à imprensa. Via Tiago Dória

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A Receita dos jornais

Junho 29, 2008 · 1 Comentário

Por Amanda Impelliziere, Camilla Rebello, Danielle Lobato, Fernanda Clarkson, Isabella Carvalho

Manutenção dos Jornais

O jornal foi, desde o início, uma ponte entre a notícia e o público interessado em conhecê-la. Desde a invenção da imprensa por Johann Gutenberg ,em 1447, e do telégrafo ,em 1844, os jornais difundiram por todo o mundo relatando as grandes revoluções dos séculos XV ao XIX, e se consolidaram como o principal meio de comunicação.

Entretanto, surgiram novas mídias como o radio, a televisão e a atual internet. Mas mesmo com o crescimento de novos veículos de comunicação, o fim dos jornais de papel, apesar dos constantes boatos, não deve ocorrer. É importante que as editorias compreendam a necessidade de oferecer ao leitor tradicional do jornal impresso, motivos para que ele enxergue a mídia alternativa como uma ferramenta extra e não substituinte. Assim, agregando modernizações, os jornais poderão se manter como meio poderoso de transmissão de informação às massas no relato e análise dos acontecimentos diários.

Com as turbulências enfrentadas pelos jornais, os modelos antigos foram sendo alterados e novidades foram sendo implantadas para fazerem frente às novas mídias. Contudo, é nítido, no modelo atual, que os periódicos foram invadidos sucessivamente por anúncios e propagandas. Anúncios pagos, bonificados, editais, comunicados, anúncios-resposta, fúnebres, permutas e o próprio marketing têm ocupado cada vez mais espaço nas folhas dos jornais, enquanto os textos jornalísticos ficam cada vez menores.

A questão não se limita a esse fato, mas também à qualidade dos textos. É comum que algumas notícias e artigos sejam reduzidos para que os anúncios e propagandas caibam inteiros na folha. Como a publicidade confere aos jornais milhares de reais por porcentagem de espaço ocupado, é produzida uma certa pressão que, freqüentemente, obriga o jornal a aceitar a mudança que for, pois grandes quantias de dinheiro estão em jogo.

Além disso, com os acontecimentos que surgem ao longo do dia, cada página corre o risco de sofrer alterações na diagramação. Muitas vezes, várias alterações. O texto também pode ser alterado por esse motivo, correndo o risco de perder detalhes relevantes ou mesmo pormenores interessantes para o leitor.

Tomando o jornal O Globo como referência, vamos fazer uma análise média de como os jornais se financiam. Este é um jornal com grande circulação na cidade do Rio de Janeiro. Tem alta tiragem e volume de anúncios elevadíssimo. Segundo dados da área comercial do jornal, a venda de espaços para anúncios segue as regras do Manual de Detalhamento de Classificados. O Manual explica passo a passo todos os quesitos necessários (chamados por eles de Regras e Procedimentos) para que um anúncio seja veiculado nas páginas do jornal. Além disso, é o Manual que define as retrancas - divisões do jornal para classificar os tipos de anúncios. Exemplos: “seção de jóias e relógios”, “plantas e jardim” etc.

O jornal é do tipo stander (primeiro caderno), trabalhado com a proposta de coluna x altura (6cm X 52cm). Em um total de 312cm quadrados de folha, cada centímetro custa, nos dias de semana, 885 reais. Dessa forma, é possível mensurar e tabelar os preços dos anúncios e propagandas. Se colocarmos um anúncio de página inteira, por exemplo, gastaremos um total de R$ 276.120,00.Nos finais de semana, o centímetro passa a custar R$ 1.462,00. Sendo assim, o anúncio custaria R$ 456.144,00. Já com essas básicas contas, pode-se ter uma idéia do motivo pelo qual os jornais foram tomados pelos anunciantes.

Obviamente, O Globo não é financiado somente pelos anúncios. O complemento da renda é derivado das assinaturas mensais do jornal (que custam em media R$ 66,00) e das tiragens das bancas. Segundo o jornal, a tiragem das bancas durante a semana - cada exemplar a dois reais- é de aproximadamente 291.000 exemplares, o que equivale a R$ 585.000,00. A tiragem pode chegar a 405.000 exemplares aos domingos - R$ 1.417.500,00, com o jornal a R$3,50.A parcela de capital que vem dos anunciantes é muito superior à que vem das vendas das bancas, mas não contribui sozinha para a manutenção do jornal.

Observe:

Jornal O Globo

Forma de financiamento: Anúncios

Dia de Semana: R$ 885,00 por centímetro; Cada pagina inteira (312 cm)= R$ 276.120,00

Finais de Semana: R$ 1.462,00 por centímetro; Cada pagina inteira= R$ 456.144,00

Forma de financiamento: Bancas

Dia de Semana: R$ 2,00 cada; 291.000 exemplares vendidos = R$ 585.000

Finais de Semana: R$ 3,50 aos domingos; 405.000 exemplares vendidos = R$ 1.417.500,00

Forma de financiamento: Assinaturas R$ 66,00 (nas promoções R$ 54,90)

Perfil dos leitores

Os jornais são dirigidos a quem deseja se informar. Entretanto, ao ser formulado, ele é pensado para determinada(s) classe(s) e/ou grupo(s). Sua linguagem, assunto, preço e anúncios serão voltados para eles. isso cativa leitores e cria uma identidade para o jornal. Segundo o site www.infoglobo.com.br, só na Zona Sul – região com maior número de leitores do jornal - cerca de 523.000 pessoas leram o jornal no quarto trimestre de 2007. Se compararmos com o EXTRA - mesma rede do O Globo - a circulação do jornal é predominante na Zona Oeste (594.000) e Baixada Fluminense (584.000), o que mostra claramente a proposta e o direcionamento do jornal EXTRA.

Outro dado importante mostrado no site é o perfil dos leitores - sexo, idade, escolaridade e classe social - bem definidos.

EXTRA x O GLOBO:

Sexo Feminino – 52% _____________ Sexo Feminino – 57%

Idade entre 20 e 29 anos – 23%___Idade Superior aos 50 anos – 29%

Primeiro Grau – 44%_____________ Nível Superior – 53%

Classe C – 40% _________________ Classe B – 45%

Esses dados, além de mostrarem uma nova tendência - as mulheres muito mais interessadas nas notícias - contribuem para a escolha de novos cadernos e matérias que interessem a essa fatia do público-alvo. Isso gera incentivo, atração; confirma as compras e o aumento dos lucros.

Tipo de anúncios

Como cada jornal tem a sua identidade e seu público alvo, percebemos que é preciso que os anúncios sigam a risca esse perfil, para que nem o jornal fique destoando e nem os anunciantes gastem quantias elevadas que não lhe darão o retorno esperado. Após uma análise entre os jornais, fica evidente quais são os anunciantes e a motivação dos anúncios, nesse ou naquele caderno. Isso porque, todos os jornais, independente do tamanho e dos leitores, são subdivididos em cadernos, para facilitar e direcionar a leitura e o foco do interesse.

Normalmente, são encontrados: o caderno geral (primeiro caderno), o de economia, política, mundial, esportes, informática, habitação, carros, classificados e segundo caderno (atrações, festa, eventos). Essa é uma tentativa de agradar todos os tipos e gostos. Dentro de cada caderno são encontrados os anúncios específicos da área. Por exemplo, no caderno de carros são anunciados carros a venda, concessionárias, seguros, feirão etc.

Jornais voltados para classes mais elevadas, como O Globo e Folha de São Paulo, têm uma concentração de anúncios de viagens, carros (Mitsubishi; Peugeot; Honda), jóias (Vivara; H Stern), eventos e bancos (HSBC). Já os direcionados para as classes C, D e E, como O Dia, Extra e Meia-Hora, têm anúncios de supermercados e promoções (Guanabara), lojas de eletrodomésticos (Casas Bahia; Casa e Video), telefonias celular e muitos planos de saúde. Para anunciar nesses veículos o preço é bem mais acessível do os direcionados ao publico A e B. No jornal O Dia, por exemplo, o valor de um stander de uma página é em torno de R$ 4.000,00 e no jornal Meia Hora a metade do preço. Os valores variam também de acordo com o tipo de anúncio.

Segundo a Associação Nacional de Jornais (http://www.anj.org.br), em pesquisas feitas nos jornais diários do Brasil, foi possível revelar o nível de investimentos dos maiores setores de anunciantes no ano de 2007:

Setor econômico _______ Investimento - R$____ Investimento - US$

Comércio Varejo___________5.362.226 __________2.811.643

Mercado Imobiliário_______ 2.628.094 _________1.403.255

Serviços ao Consumidor ______ 1.410.607 ________ 742.240

Cultura, Lazer, Esporte e Turismo ___1.117.190________585.772

Veículos, Peças e Acessórios _____ 984.088 _________ 518.869

Mídia_______________________836.436 _____________ 437.106

Mercado Financeiro e Seguros_____625.716 _________ 328.386

Serviços Públicos e Sociais________419.603__________221.880

Telecomunicações_______________415.617__________ 221.862

Internet________________________ 219.407___________ 115.074

TOTAL DE INVESTIMENTOS_______14.018985__________7.386.086

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Quando um editor experiente resolve voltar a ser repórter

Junho 25, 2008 · Não Há Comentários

I found that I sometimes had feelings of inadequacy about the tenets of writing that are so dear to my heart: kill off without mercy the throat-clearing sentences that come naturally to every writer looking for a good lead; write a lead that hooks the reader instantly; use short sentences and simple words; know what your story is before you write it and resist even juicy details that stray from your theme; determine beforehand how many words a story is worth and stick close to that number. As an editor, I preached these basic lessons again and again. I have always told young reporters at the Monitor that if they followed this advice, the daily practice of reporting would take care of the rest.

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O desenvolvimento da escrita jornalística

Junho 19, 2008 · 1 Comentário

Por Carolina Magalhães, Isadora Martinelli, Luna Costa, Marina Ventura e Paula Lopes

A escrita é uma prática própria das sociedades humanas, tendo sido desenvolvida historicamente por elas. Pode ser globalmente caracterizada como a ocorrência de marcas numa superfície.
Apesar de habitualmente a função atribuída à escrita seja a de registro de informações, não se pode negar sua relevância para a difusão destas e a construção de conhecimentos. O avanço das novas tecnologias e as interações entre diferentes suportes (papel, tela) tem colaborado para a democratização da informação.
Mas nem sempre foi assim. A informação era pouco difundida, já que não havia nem um meio de comunicação institucionalizado, além de muitas vezes ser pouco confiável. Foi a partir do século XV, uma série de fatores políticos, econômicos e intelectuais aumentaram notavelmente a sede de notícias no Ocidente graças ao Renascimento, as Reformas, os processos de troca bancárias e comerciais.
A imprensa periódica só nasceu mais de um século e meio após a invenção da tipografia, tendo sido um verdadeiro florescimento de escritos de informação dos mais diversos. Desde o século XVI, pelo menos, as notícias já tinham se tornado uma mercadoria. O nascimento dos periódicos, impressos, contudo, não provocou o desaparecimento dos escritos informativos não-periódicos.
Com o surgimento dos diferentes tipos de jornais, as notícias eram poucos confiáveis. As pequenas Gazetas, no início do século XVII, forneciam informações irrelevantes, publicavam apenas artigos e comentários, mas estenderam seu campo de informação a todos os aspectos da vida social e cultural.
Porém, paralelamente ao fortalecimento da imprensa, a censura passa a ser mais expressiva. É evidente que já havia uma repreensão devido à publicação de folhetos anticlericais e de outros materiais críticos.
A partir de 1482, a igreja católica emitiu os primeiros editais de censura. Cinco anos depois, o papa decretou que ninguém poderia publicar nada sem a revisão da Cúria romana. A legitimidade da censura não foi desafiada até o século XVIII (Revolução Francesa), dando à luta pela liberdade de imprensa um caráter essencialmente burguês.
Assim, o jornalismo foi sempre marcado por uma luta pela liberdade tanto na Europa, Estados Unidos e no Brasil, apesar de passar por diferentes etapas. No caso mais específico do Brasil, segundo o autor Sebastião Breguez, o jornalismo brasileiro passou por cinco distintas fases de desenvolvimento.
A primeira etapa chamada de Jornalismo literário vai do surgimento da imprensa no Brasil até o final do século XIX. Para o autor Juarez Bahia, nesse momento o jornal e a literatura se influenciaram.
A segunda fase é conhecida como Jornalismo informativo estético, que começou se definir por volta de 1880. Aqui a informação começa a ser vista como um produto e os acontecimentos políticos, econômicos e sociais passam a ocupar espaços antes preenchidos pelos meros debates. Os veículos passam a ser portadores dos interesses da classe produtora e das camadas médias. É o fim da imprensa artesanal.
Já na terceira fase, no período entre guerras, o Jornalismo informativo utilitário, corresponde a todo um período de afirmação da imprensa brasileira. Adota-se o uso de imagens (fotografias e ilustrações) e a buscar novo padrão visual que pudesse agregar algo mais que o fato, a notícia e a informação. Não basta mais apenas divulgar a informação, é preciso envolve-las em um novo material, em algo que concorresse com a “velocidade” do rádio.
Durante as décadas de 1960 e 1970, surge a quarta etapa, o Jornalismo Interpretativo e com ela começa a ditadura do lead. O primeiro parágrafo do texto passou a conter as principais informações da matéria. Mas a concorrência com o rádio e a TV levou os jornais a repensar a prática e abrir espaços para novos estilos. Algumas empresas investiram nas revistas de reportagem, espaços em que são permitidos textos mais flexíveis e interpretativos.
A quinta e última fase é representada pelo modelo atual: o Jornalismo Plural. Este não seria um estilo, mas um modelo em que cabem diversos estilos. Ele seria resultado de uma nova realidade dos meios de comunicação, em que a informatização das informações e o surgimento da internet alteram profundamente o conceito de notícia.
Além disso, atualmente, há inúmeras técnicas de escrita adotadas pelo jornalismo. Uma delas é a hierarquização das informações, apresentando-as no texto em ordem decrescente de importância. Esta técnica tem o nome de pirâmide invertida, pois a “base”, por conter as informações mais relevantes, fica no inicio do texto e o “vértice”, que seria a parte menos importante, se encontra ao final do texto.
A noticía bem como a matéria é subdividida em “capítulos” agrupados por tema, chamados retrancas e sub-retrancas, ou matérias coordenadas.
Há um extremo cuidado com a imparcialidade, sendo essa preocupação expressa através da incessante busca por fontes seguras que tenham opinioes divergentes sobre o mesmo assunto. Essa precaução é recente bem como a ética, que hoje é primordial em qualquer trabalho jornalístico.
O jornalista moderno narra uma história em que ele fica de fora apenas como observador, ou seja, como se fosse uma câmera. É evidente que o jornalista escolhe um ângulo para contar o fato ocorrido, acabando por, de um modo ou de outro expressando sutilmente sua visão. A imprensa também conta hoje em dia com a reportagem que afirma a seguridade das informações passadas, tirando o caráter opinativo de como começou o jornal.
Um fato interessante a se analisar é que, apesar da evolução da tecnologia e o surgimento do jornalismo online, que parece dar um novo ar de informalidade e democratização da informação, as noticias, artigos e matérias continuam com o mesmo formato e objetivo.
O jornal foi ganhando credibilidade ao longo de sua história. Hoje, é considerado uma das, senão a maior, formas mais seguras de saber sobre o que acontece no mundo. Assim, pudemos analisar que o seu mérito não nasceu de um dia pro outro, mas sim de uma construção trabalhosa e honrosa da imprensa ao longo dos anos.

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O Futuro do Jornal

Junho 18, 2008 · 1 Comentário

Por Diogo Ramalho, Alessandra Farina, Gaya Correira, Ana Ghetti e Emylinn Lobo

Introdução

Há séculos a civilização vem usando a mídia impressa para divulgar noticias e informações para as massas. Mas, nas últimas décadas, as tecnologias de comunicação deram um salto. O jornal, que antes era a principal fonte de informação, agora compete com o rádio, a TV e a internet. Essa concorrência, apesar de ter melhorado a qualidade dos meios de comunicação, distribuiu o público entre os mesmos. Por isso, muitas questões são levantadas sobre o futuro do jornal impresso. Será que o mais tradicional meio de comunicação sobreviverá a Era Digital?

O papel e os problemas do jornal de hoje

Há algum tempo uma propaganda estampou outdoors em vários lugares do Rio de Janeiro. A frase era clara, com uma linguagem simples e concisa, assim como deve ser um texto jornalístico. Já a mensagem era de um alto teor reflexivo:“Qual o papel do jornal de papel?”. Ao lado da frase, ora estava a socialite Narcisa Tamborindeguy, ora o cartunista Jaguar, ora o cronista Milton Cunha.
Há quem diga que o jornal de papel serve apenas para forrar fundo de gaiola de passáros, embrulhar peixe e ovos ou servir de “banheiro” para poodles de apartamento, mas o fato é que milhares de jornais invadem casas, ônibus, escritórios e participam, junto ao pão e leite, do desjejum diário dos brasileiros.
Diante de um povo que, em sua maioria, teve pouco acesso à educação -principalmente a de qualidade-, o jornal diariamente informa e estimula a capacidade de análise, sendo muitas vezes a única fonte de leitura deste povo. Com isso, a responsabilidade do jornal aumenta. Bem mais que informar, no Brasil, o jornal tem o papel de formar cidadãos conscientes de tudo o que acontece ao seu redor, capazes de pensar, julgar e decidir.
Contudo, hoje o jornal passa por um período delicado. Muito se fala do futuro do jornal impresso, da disputa com a geração internet e de um possível fim deste tipo de jornal nos moldes que vemos hoje. Apesar dessa discussão ser altamente válida, é importante que as atenções se virem para os motivos que fazem o jornal perder espaço. Formatos mais práticos para serem carregados, além de uma linguagem mais clara, irreverente e didática nas editorias que não têm tanto sucesso quanto as mais populares ajudariam e acabariam com o paradigma de que a maioria não gosta de política e economia, ou que só gosta de ler sobre esportes, novelas e tragédia. Eles lêem o que entendem e se nas editorias de política e economia, por exemplo, não há como entender a linguagem, a página é virada.

Novas tecnologias e estatísticas históricas

Com o passar do tempo e os meios de comunicação surgindo e evoluindo, o jornal se viu obrigado a adaptar-se para não se tornar obsoleto. O rádio explodiu no cenário da mídia nos anos 20, e para não ficar para trás os editores renovaram os formatos e conteúdos de seus jornais a fim de torná-los mais atraentes, aumentando também o volume dos textos para oferecer uma cobertura mais ampla e de maior profundidade.
Mas assim que os jornais conseguiram se adaptar à novidade do rádio, viram-se obrigados a fazer uma autoavaliação à luz de um novo e poderoso veículo: a televisão. Entre 1940 e 1990, a circulação de jornais nos EUA caiu de um jornal para cada dois adultos para um para cada três adultos. Apesar da queda brusca, a onipresença da televisão não tornou o jornal obsoleto. Alguns jornais, como o USAToday, responderam aos avanços tecnológicos através do uso da cor e mediante artigos “curtos, rápidos e objetivos” como as matérias oferecidas pela televisão.
A atual revolução tecnológica gera novos desafios e oportunidades para a mídia tradicional. Nunca houve tantas informações disponíveis para tantas pessoas. Em fins dos anos 90, havia cerca de 700 sites na Internet; hoje se contam aos milhares.

Jornal X Internet

Atualmente, a relação entre o jornal impresso e a Internet oscila entre um mutualismo e uma competição. As publicações eletrônicas são muito mais interativas do que as impressas e têm custo reduzido também. Para Steve Outing, jornalista estudioso de novas tecnologias, os jornais digitais não substituirão as edições impressas. Consciente de que a circulação dos produtos impressos tende a diminuir no futuro com a popularização em larga escala do acesso à internet, ele considera o jornal digital mais do que uma ameaça, diz que representam um importante instrumento complementar para as empresas jornalísticas.

Jornal X Rádio

O rádio jornalismo é a mídia mais acessível em relação ao jornal, pois proporciona facilidades culturais e financeiras. Se contarmos com o acompanhamento diário das publicações, em geral, o custo final mensal sai relativamente caro, enquanto para acompanhar as notícias pelo rádio basta adquirir o aparelho. Além disso, este proporciona a comodidade de se ouvir à notícia dispensando a leitura, o que para muitos ainda hoje é uma barreira e para outros um incômodo (quando se está em movimento ou em meios de transporte ).Esta mídia, no entanto, possui também desvantagens em relação ao meio impresso: não proporciona a ilustração da informação, geralmente não aborda os assuntos com tanta profundidade e é extremamente volátil, uma vez que não se repete, não se pode relê-la.

Jornal X TV

O telejornalismo também torna mais fácil o acesso à informação por dispensar a leitura e por só necessitar do aparelho. Além disso, a TV conta com recursos de vídeo que ilustram as notícias de maneira mais completa seja com imagens reais ou com reconstituições. O jornal conta apenas com fotos em impressões de baixa qualidade (em relação à TV). No entanto, por sua vez, a informação transmitida pelos telejornais sofrem a mesma volatilização daquela transmitida pelas rádios, que a do jornal não sofre.

Jornal X TV + Internet + Rádio

O jornal conta com uma desvantagem grave em relação a essas outras três mídias. É essa desvantagem que nos faz repensar o seu papel. Hoje, a mídia impressa já quase não nos traz novidades, apenas uma revisão do que os outros meios, por contarem com a atualização em tempo real, já transmitiram.

O Jornal no Brasil

Não é novidade para ninguém que a leitura de jornais vem aumentando bastante nos últimos anos. Apesar de os jornais considerados Standard serem os mais informativos e completos, as vendas dos Tablóides é que esta crescendo, mostrando a necessidade e vontade da população de se informar. Liderando o ranking de vendas, está “Folha de S.Paulo”, que é o maior do Brasil. Devido às vantagens oferecidas pelas empresas, os números de assinaturas de jornais estão crescendo consideravelmente. De todos os exemplares vendidos diariamente, 51% são assinados por famílias, nas quais, quase sempre, o homem é o maior leitor.

O Jornal no Mundo

A tradição do jornal impresso é bastante antiga e conservada. O primeiro jornal criado e que continua em circulação é o “Post och Inrikes Tidningar”, da Suécia, criado em 1645. Casos como esse evidenciam o poder e força que a informação vinda pela folha de papel tem para a sociedade antiga e contemporânea. Na atualidade, os maiores leitores de jornais são os cidadãos de Aruba, com 93 cópias vendidas a cada 100 habitantes. Os jornais internacionais são muitas vezes causadores de polêmicas e responsáveis por grandes escândalos. “Meus médicos me disseram esta manhã que a minha pressão baixou. Então, posso voltar a ler os jornais”, disse o ex-presidente americano Ronald Reagan.

A opinião dos jornalistas e leitores

As previsões para o fim do jornal impresso aumentam, diante de um “batalhão” de outras mais tecnologias que chegam com fácil acesso ao leitor. Dessa forma, muitos dizem que a “nova era” de informação vai, simplesmente, dominar o espaço em que o “jornal de papel” ocupa. Já outros, acreditam na credibilidade e na continuidade do tradicional jornal. Segundo o jornalista Marcus Cavalcante, em artigo exibido em seu próprio blog diz que, particularmente, acredita que o jornal impresso terá vida longa, mas que haverá mudanças radicais no modo de impressão, pelo fato de estar competindo com grandes concorrências. Uma dessas mudanças que Marcus vislumbra é a impressão eletrônica, na qual consiste em uma telinha fina que o leitor poderia carregar debaixo de seus braços e que poderia ter até um mecanismo para dobrar páginas. Para o jornalista, as profissões de gazeteiro, distribuidor de jornal, empacotador e outras que vivem para fazer circular a notícia com assinantes e bancas de jornal, se acabarão. Porém a de jornalista de impresso, nunca. Acredita que além da credibilidade o veículo garante ao leitor uma grande comodidade.
Para alguns leitores, o fim se encontra distante, já que o acesso à Internet para uma grande parte do Brasil é restrito. Outros acreditam que para continuar no mercado o jornal terá que inovar. “O jornal impresso tem um futuro, mas ele vai ter que inovar no formato e matérias para não ficar obsoleto. Com o avanço da Internet também foram feitas especulação sobre o fim dos livros e eles continuam aí, com ótimas publicações todo dia. Em relação à credibilidade, o jornal impresso é mais confiável que a informação virtual, que além de ser bastante volúvel, possui fontes que nem sempre são confiáveis” afirma Bárbara Santiago, estudante de jornalismo na UFF.

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Um dia na redação de “O Globo”

Junho 17, 2008 · 1 Comentário

Por Julia Simek, Renato Camilo, Branca Dias, Clara Rodrigues, Fabiane Mariano e Igor

O dia começa em uma roleta. Na verdade, não existe um começo nem um fim. Fazer jornal é um exercício full time. Editores, redatores, repórteres, fotógrafos, pauteiros, chefes de reportagem, diagramadores, executivos, faxineiros, publicitários, secretários, e milhares outras pessoas passam todos os dias pelas roletas do prédio de número 35 da Rua Irineu Marinho, no Centro da cidade.
Máquinas de escrever, pessoas fumando, milhares de cinzeiros com guimbas de cigarro, jornais sendo diagramados à mão. Definitivamente a redação do jornal mudou. Após a lei n° 9.294 – Art. 2°, que sancionou a proibição de fumar em lugares fechados, o que mais se vê junto às pilastras que cortam a grande sala são placas de “proibido fumar”. Mas o que não mudou é o fato de uma redação ser um grande centro de comunicação. Computadores a perder de conta, diversos televisores sintonizados em canais de jornalismo - como Globo News, Sportv, CNN - e impressoras espalhadas por todos os cantos. Esta é a nova cara de uma redação.
O jornal “O Globo” é dividido em grandes blocos de editorias: nacional, esporte, economia, segundo caderno, Rio e suplementos. Cada editoria tem seus editores, repórteres, diagramadores e redatores. Na redação encontramos espaços reservados para cada editoria. Nas margens ficam os chamados “aquários” - salas com parede de vidro onde se encontram os colunistas, o diretor de redação, a arte - secção destinada a toda parte de design do jornal, o editor-executivo – que faz a produção do jornal, a apuração - área de escuta de rádios e visualização de canais de televisão, que funcionam 24 horas, e o apoio técnico - este disponibiliza e controla todo tipo de equipamento usado em reportagens.
Sete horas: para muitos, a jornada de trabalho acabou; para outros, só está começando. Não existe no jornal um único cronograma. Cada membro cumpre, dependendo da sua editoria e função, jornadas diferentes. Nesta hora da manhã, chegam à redação os sub-chefes de reportagem. Estes começam a analisar quais serão as notícias do próximo jornal e a mandar, se necessário, repórteres para as ruas. Lá pelas dez chegam os editores, chefes de reportagem e o editor-executivo. Em média, cada editoria tem três editores, mas eles não chegam necessariamente no mesmo horário.
A editoria Rio é a que funciona mais intensamente. A ela pertence a apuração que já foi o grande centro nervoso do jornal. Nesta sala, até pouco tempo atrás, ouviam-se escutas 24 horas da polícia e dos bombeiros. Havia uma parceria entre o jornal e estas instituições que deixou de existir quando os traficantes passaram a dispor dos mesmos recursos.
Existem os chamados pauteiros nas editorias Rio, economia e nacional. Estes funcionários chegam por volta das 18 horas para ajudar a apurar possíveis noticiais e saem às 3 da manhã. Um meio pelo qual as editorias captam informações e criam pautas é através de “agências de informação “- sites pagos pelo jornal que contém os principais fatos que estão ocorrendo no mundo, 24 horas por dia. Outra ferramenta são os sites de grandes jornais como o “Washington Post”, “New York Times”, “Lê Monde” e “El País”.
Quando chegam os editores e os chefes de reportagem, normalmente os integrantes de cada editoria se reúnem para decidir quais notícias serão levadas para a primeira reunião de pauta. Esta ocorre às 11 horas. Dela participam um editor de cara editoria, o editor-executivo, e na escuta por telefone, o editor-executivo da surcusal do “O Globo” de Brasília. A reunião começa com uma auto-avaliação. Conjuntamente os participantes avaliam como foi o desempenho das notícias publicadas pelo jornal (em relação a outros jornais como O Dia, Extra, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil) do dia anterior. Fotos, títulos e matérias são avaliados. Terminada essa etapa, os editores começam a “vender” as notícias para o editor-executivo. Este seleciona as matérias e diz o ângulo que será abordado montando, assim, a pauta. Como ainda está no início do dia, esta é apenas uma previsão do próximo jornal, uma tentativa de planejamento. Depois dessa etapa os editores negociam com o editor-executivo o número de páginas da próxima edição. Por último, são decididas quais serão as manchetes do jornal que serão veiculadas na televisão.
A redação só começa a encher lá pelo meio-dia. Como diz Ricardo Noblat “lugar de repórter é na rua” - e nessa hora é isso mesmo que vemos. A sala começa a ser preenchida por redatores e diagramadores. Cada editoria recebe o que chamam de “espelho”, que é um projeto das folhas do jornal já com os espaços destinados a publicidade para os editores desenvolverem as matérias de acordo com esse espaço.
Assuntos da editoria internacional são desenvolvidos através das informações enviadas por correspondentes e colaboradores espalhados por vários países. Cada editoria tem seus próprios repórteres, mas existe a possibilidade - e isso é bem comum - de se “pegar emprestado” quando a notícia demanda um grande número de profissionais.
Os fotógrafos, ao voltarem das ruas, selecionam nas redações as melhores fotos que serão mandadas para os editores que escolhem quais irão ser publicadas. Após essa etapa, elas são encaminhadas para técnicos que, através de programas de computador, “tratam” as fotos. A imagem é mandada para os diagramadores que montam - a partir da publicidade, dos textos e das fotos – as páginas do jornal.
Para se ter uma melhor noção de como sairá a página do jornal, os editores, diagramadores, redatores e editores têm a possibilidade de dispor dos chamados “prints”. Estes são papéis semelhantes ao tamanho original do jornal, que permitem melhor visualização do que aquela vista pela tela de computador. Erros são mais facilmente identificáveis desta forma.
Cada editoria tem seu próprio ritmo e fecha a matéria em horários diferentes. Principalmente os suplementos como a Revista da TV, a Revista, Boa Viagem, Morar Bem, entre outros, têm um horário diferente para imprimir no parque gráfico de “O Globo”, e até mesmo, dia. O jornal de domingo é o jornal mais importante. Começa a ser planejado na segunda feira. Os demais suplementos também têm reuniões de projeto de pauta e de consolidação em horários e dias diferentes. O planejamento e produção dos suplementos são mais elaborados, pois muitos são semanais, e suas notícias, em grande maioria, são frias.
É normal surgir novos assuntos ao longo do dia. O trabalho de um jornalista é bem corrido e dinâmico, “temperado” com o fator imprecisão. Ele tem que correr contra o tempo para escolher as principais notícias do dia. Ou pode ocorrer de o problema não estar no excesso de notícia, e sim, na falta. Com isso, seu maior desafio é criar algo que possa servir como matéria.
Às cinco da tarde ocorre a reunião de consolidação. Antes disso, os jornalistas de cada editoria se reúnem para decidir quais serão de fato as notícias que irão publicar no jornal - o que realmente rendeu. O editor-executivo dará as decisões finais para fechar o jornal e as manchetes do dia.
A não ser que surja uma notícia nova nesse meio tempo, das 17 as 22:15 é o prazo que as editorias têm para fechar as matérias. Conforme o jornal vai sendo fechado, ele passa pela etapa final de produção denominada digitalização. Nesta fase são inseridos os anúncios. Depois o projeto é mandado para a transmissão que envia para o parque gráfico.
A primeira edição, que também é chamada de “primeiro clichê”, é rodada às 22:15. Se surgir uma notícia nova ou se tiver algum erro ortográfico escabroso nas matérias, é rodado o “segundo clichê”. Caso tenha essa segunda edição, a primeira é normalmente distribuída em outros estados. Há ainda a possibilidade de um “terceiro clichê”.
Conforme vai se aproximando do horário de fechamento do jornal, os ânimos começam a esquentar. É sensível uma atmosfera de estresse que paira pelo ar. O tom de voz aumenta e é normal ouvir “vamos lá pessoal, temos que fechar isso”! As editorias Rio, nacional e economia costumam as últimas a fechar.
Lá no parque gráfico, a informação vira filme que é transformada em chapa de alumínio e mandada para a rotativa. Nesta máquina, ao ser passado o papel de jornal em branco, através da tinta a informação é impressa no jornal. Após uma secagem quase que instantânea, o jornal já está pronto para ser distribuído nas bancas, comprado e lido.
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Da calçada à cozinha

Junho 17, 2008 · 3 Comentários

Por Gabriel Cariello, Lucas Varidel, Marcela Fotté, Julia Pinto e Rafael Ribeiro

Janeiro de 1991, Edna Dantas, pela Folha de São Paulo publica a matéria ”O Lixo da Casa da Dinda”. Assim, revelou a privacidade do então presidente da República, Fernando Collor, através do lixo deixado na rua para que lixeiros o recolhessem. Essa foi uma das grandes reportagens da carreira da repórter. A principal, segundo ela, em toda sua trajetória em diários.
Aos 12 anos, Edna e seu irmão ligaram para a Rádio Independente, de Brasília, e participaram de um programa ao vivo. Ficaram no ar por diversos minutos, cantando e respondendo perguntas. Após o término do programa, o radialista Edinho Maia pediu para falar com ela fora do ar. Por ter gostado muito de sua participação, o radialista a convidou a participar diariamente, fazendo matérias sobre seu bairro. Deram-lhe um gravador, para que entrevistasse suas amigas, familiares, etc. Edna adorou, e os radialistas também. Propuseram-na então um programa próprio. Conversou com seu pai, quem sempre lhe apoiou, e decidiu não aceitar, pois poderia se complicar nos estudos – já era madura o suficiente para saber a importância de se formar academicamente. Apesar da recusa, já tinha decidido seu futuro: o jornalismo.
Em 1981, Edna ingressou na universidade Centro Universitário de Brasília, a atual UniCEUB, no curso de jornalismo. Uma universidade particular, melhor que a UNB (Universidade de Brasília) na área de Comunicação, na época. Esforçou-se para antecipar a formatura, devido à sua ansiedade em trabalhar, terminando o curso em três anos e meio. Durante alguns períodos da faculdade, estudava, estagiava e trabalhava. Trabalhou no Ministério Público, mas abandonou o emprego após quatro meses, para estagiar com comunicação, na Caixa Econômica Federal, como recepcionista da presidência. Neste emprego, Edna, que estava em seu segundo ano na faculdade, foi convidada por Aluízio Alves, futuro ministro da Administração do governo de José Sarney, a participar de sua assessoria de imprensa, caso ocupasse o cargo no ministério, o que acabou acontecendo. Conseguiu então seu primeiro emprego com carteira assinada, ainda na faculdade. Juntamente com esse emprego e a faculdade, também estagiou na televisão. Porém, por não ter uma voz adequada, desistiu de seguir carreira nessa mídia.
Funcionária de grandes jornais brasileiros, Edna começou, ao sair da faculdade, no Jornal de Brasília, onde sua matéria-teste, para ingressar no jornal, foi capa da edição do dia seguinte. Iniciou na editoria de cidade, mas logo passou a acompanhar a política e a economia nacional. Convidada para trabalhar na sucursal de Brasília do Estado de São Paulo, iniciando assim sua trajetória pelos principais diários nacionais. Foi no “Estadão” que Edna cobriu as eleições presidenciais de 1989, 25 anos após o golpe militar que extinguiu a democracia no país. A grandiosidade do evento colocou Edna entre os grandes repórteres do país na época. Após a decepção com a vitória de Collor, se filiou ao PT e foi para a Inglaterra para estudar ciências políticas, onde passou um ano.
Esse caso exemplifica o envolvimento tão grande de Edna com sua profissão. “Jornalismo é paixão”, diz, sobre uma de suas principais características. Característica essa que, segundo ela, falta a muitos jornalistas de hoje. “Muitos acreditam que jornalismo é uma vidinha de ganhar bem e trabalhar pouco. Jornalista trabalha muito. Não tem rotina e nem feriado, quanto mais jornalista de jornal”, afirma. Edna diz ainda que muitos ingressam na profissão em busca da fama, achando que não existe uma rotina ou pressão.
Ao voltar da Inglaterra, Edna foi contratada pela sucursal de Brasília da Folha de São Paulo, que segundo ela, foi sua melhor passagem por diários pelo fato de o jornal ser uma grande escola de apuração. Trabalhou durante quatro meses e fez uma importante reportagem sobre o lixo do presidente Collor. Ao comentar o caso, Edna afirma que tinha muita disposição para apurar os fatos, vasculhando o lixo da casa do então presidente. Em sua busca, descobriu que os discursos do presidente não eram escritos por ele. Descobriu também que a esposa de Collor, Rosane, usava cheques de “fantasmas” e “laranjas” para pagar compras de roupas íntimas. Na época, os caras-pintadas - manifestantes no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello - usaram sua reportagem para criar palavras de ordem, uma espécie de grito de guerra. “Rosane, sua galinha, é o PC que compra sua calcinha”, diziam os revoltados.
Ainda pela Folha, cobriu o presidente Collor na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Rio-92. Acabou apaixonando-se pelos encantos da “cidade maravilhosa” e foi convidada a trabalhar na sucursal da Folha no Rio, onde esteve por dois anos. Em seguida, foi convidada a participar da revista Veja, em São Paulo, onde permaneceu durante um ano e meio. Ainda no grupo Abril, trabalhou na revista Istoé, como repórter especial. Após essas passagens por algumas das maiores revistas do país, montou uma assessoria de imprensa, mas não gostou.
Foi convidada, então, para ser a diretora da redação da Revista Carícia, destinada ao público adolescente feminino. Foi onde teve uma virada em sua carreira – já que sempre trabalhou em editorias de economia, política ou cidade - e alcançou uma grande realização profissional, pois sentia que tinha responsabilidade por estar formando um público. “Meninas têm necessidade de serem escutadas, e a revista tocava em pontos que elas não conversavam com seus pais”, conta Edna.
Pelo trabalho na Carícia, Edna ganhou o título de Jornalista Amigo das Crianças, conferido pela Agência de Notícia dos Direitos da Infância (ANDI). O título da ANDI reconhece profissionais de comunicação cujo trabalho é pautado pelo compromisso com a agenda social e os direitos da criança e do adolescente. Com esse título, Edna se juntou a grandes nomes do jornalismo brasileiro como William Bonner, Pedro Bial, Zeca Camargo e Caco Barcelos. Como a revista Carícia não trazia o lucro esperado para a Editora Abril, foi fechada.
Ao sair da Carícia, Edna passou a trabalhar na Revista Época, onde suas matérias foram capas de diversas edições. Nesse período, ela fez grandes reportagens, como “Eles Mataram” e “Caloteiros da Fé”. A primeira foi um levantamento sobre os números de homicídios no Brasil, onde entrevistou homicidas e serial killers por todo o país. Tal reportagem lhe rendeu uma indicação a um prêmio da Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI em espanhol), presidida por Gabriel García Márquez, e a colocação da reportagem no livro da Fundação. Na segunda, através de uma competente investigação, Edna desmascarou os bispos da Igreja Renascer, que usavam nomes de fiéis ao fazer aquisições comerciais para a instituição.
“O caso da Renascer foi o último respiro de uma repórter que vai deixar de ser repórter para ir para a cozinha do jornalismo”, diz Edna sobre o caso da Renascer e seu futuro profissional como diretora regional da Rádio Nacional no Rio, onde esteve por três anos, e, atualmente, redatora-chefe da revista QUEM!, em São Paulo.
Hoje, Edna alimenta o sonho de abrir uma revista dirigida ao público feminino. A realização profissional que obteve com a Revista Carícia lhe deixou um “gostinho de quero mais”. Uma revista que se diferenciasse no mercado por ser direcionada para o público feminino - adolescente das classes C e D. “Eu acho que as meninas têm fantasias, têm coisas fúteis, que fazem parte da vida delas”, diz.

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Extra e O Globo, gêmeos bivitelinos

Junho 17, 2008 · 2 Comentários

Não é de hoje que grandes empresas criam vários segmentos produtivos – ou se preferir outras empresas. Principalmente as empresas ligadas a comunicação, onde podem atingir vários públicos de “espectadores” que possuem gostos diferenciados. A Rede Globo é um belo exemplo disso com o seu strongjornal “O Globo” e o jornal “Extra”, jornais diferentes de uma mesma empresa. Assim como observamos em 6 jornais (3 Extras e 3 Globos, dois de cada dia) em 3 dias diferentes
-Aspectos físicos:
A manchete principal do Globo é apresentada com destaque na primeira página e desenvolvida em matéria de página inteira na seção Rio. Já o Extra a disponibiliza em espaço de menos de um terço de página, no interior do jornal. A linguagem utilizada pelo Globo na transmissão da mensagem se direciona ao público que tem nível de instrução mais elevado. Existe uma preocupação maior com o emprego mais neutro das palavras, ao contrário do Extra. É visível ainda o cuidado que O Globo possui com o aspecto visual, procurando manter suas páginas “clean”, diferentemente do Extra, que contém uma diversidade de cores grifando suas matérias.
O preço dos jornais também difere. O Globo custa dois reais de segunda a sábado e três reais e cinqüenta centavos no domingo. Já o Extra, custa um real de segunda a sábado e dois reais e trinta centavos no domingo

>Cadernos:
Dias da semana e sábado:
O conteúdo semanal do jornal O Globo é distribuído pelas seguintes seções: O País, Opinião, Rio, Economia, Esportes, O Mundo, Ciência e Classificados, e pelos cadernos Prosa & Verso, Ela e Segundo Caderno - além de outros cadernos específicos para cada dia da semana, para arrecadar vendas, como o Megazine destinado a um publico mais jovem. O Extra é composto por: Você Manda, Geral, Retratos da Vida, O País, Internacional, Economia, Viva Mais, Classificados, Sessão Extra e Jogo Extra.

Domingo:
Distribuição de cadernos e seções do Extra: Primeiro caderno, com as seções Gerais e Economia; Jogo Extra, em formato de revista, sobre esportes em geral; Canal Extra, uma revista propriamente dita sobre a programação televisiva (praticamente toda sobre a Rede Globo); Bem-Viver, também em formato de revista, sobre saúde, educação, relacionamentos, lazer e beleza; Vida Ganha, sobre empregos, estágios e pequenos negócios; Extra Imóveis, em formato de revista, sobre compra, venda e aluguel de casas, apartamentos e terrenos, além de créditos e financiamentos; e 24 páginas de classificados

Os cadernos do Globo são distribuídos da seguinte maneira: Primeiro caderno, de cunho político e social, com as seções O País, Carta dos Leitores, Opinião e Rio; Segundo Caderno, de cunho cultural, abrigando as seções Gente Boa e Rio Show; Economia; O Mundo, com notícias internacionais de cunho político e social; Revista O Globo, sobre variedades de aspecto social; Morar Bem, parte imobiliária; Revista da TV, que pode ser comparada à Canal Extra, sobre novelas, novidades da programação e atores; Boa Chance, sobre oportunidades como empregos e cursos; Ciência, de apenas uma página, sobre as últimas descobertas, experiências e polêmicas científicas; Saúde; e Classificados.

>anúncios:
Terça-feira, dia 10 de junho:
No Extra aparecem propagandas de seguros saúde com preços para cada pessoa, de corretoras e de universidades como Gama e Souza e Unipli. No Globo, um informe publicitário diz “Diga não a volta da CPMF”, claramente tentando atingir os formadores de opinião e os que mais serão afetados pela CSS. Outras propagandas do Globo são de máquinas fotográficas, do BarraShopping, da faculdade FGV e também há um recall de carros CrossFox e SpaceFox, carros destinados a classe mais alta.
Mas nem tudo é diferente entre eles. As propagandas da Vale, do BNDES, da Compaq e da UVA são iguais em ambos os jornais.

Sábado, dia 14 de junho:
Um ponto que foi encontrado em comum entre os dois jornais relaciona-se com os produtos e serviços anunciados, sendo que dois deles encontram-se na primeira parte do Globo e do Extra. Parece evidente que as duas propagandas, tanto sobre o Shopping Matriz, como também a relativa à construtora Julio Bogoricin pretendem atingir várias classes sociais.

Domingo, dia 15 de Junho:
Em relação aos anúncios, são semelhantes não só em conteúdo, mas no espaço que ocupam, com o predomínio das mesmas empresas em ambos os jornais, como Casa & Vídeo, Estácio de Sá, Casas Bahia, UVA e Tele-Rio.

-Os Jornais:
Terça-feira, dia 10 de Junho:
O Extra dá mais importância em sua capa para notícias mais polêmicas, de maior interesse e que afetem mais os cidadãos de menor renda, nesta edição as quatro que mais ocuparam espaço foram: “Professora transexual luta contra preconceito”, “Crise deixa kit-gás R$300 mais barato. Já O Globo, tem como mais importante, notícias sobre economia e política, e por isso as manchetes que mais chamam atenção na edição de terça são: “Estado vai cortar 60% das vans”, “Contrato de gaveta revela acordo para enganar Anac” e “Candidatura de Paes é ameaçada”.
A abordagem de uma mesma notícia também, às vezes, se difere de um jornal para o outro. Por exemplo, na reportagem sobre o novo edital de licitação das vans que deverá diminuir em 60% o número de veículos, O Globo passa como mais importante o fato de que isso deverá melhorar o trânsito, padronizar o transporte e evitar que milícias e traficantes utilizem as cooperativas. Mas no Extra a maior importância é que “centenas de famílias” ficarão “sem ganha-pão”.
Às vezes, as mesmas notícias são escritas pela mesma pessoa. Na reportagem sobre os 115 kg de maconha encontrados em Santo Cristo, a jornalista do Extra Natalia von Korsch é a autora da notícia em ambos os jornais, mas no Globo aparece mais informação. Já na reportagem sobre a Alerj e a cassação de Álvaro Lins, um jornalista do Globo escreve a notícia, mas outra vez partes da notícia são cortadas no Extra, e nesse caso, os cortes, chegam até a atrapalhar o entendimento da reportagem.

Sábado, dia 14 de Junho:
As principais manchetes do Globo estão ligadas a questões de interesse público mais geral, como “Indexação agravaria inflação em 2009”, “Tentativa de censurar jornal provoca reação” e “Irlanda diz não e põe UE em crise”. O Extra avisa: “Marinha abre 1.520 vagas para fuzileiros navais”. “Boxeador que Brasil devolveu a Fidel foge de barco de Cuba” e “Foto escandalosa faz Ronaldo fugir”. Essas notícias são indicativas de que temas de interesse público não ocupam grande espaço na primeira página do Extra, que privilegia assuntos de interesse mais popular, além de outros sobre a vida privada de “celebridades”, de caráter sensacionalista.
Com a leitura da seção O Mundo, do Globo, e Internacional, do Extra, é possível distinguir com clareza as distintas abordagens. O primeiro se dedica mais profundamente, apresentando maior nível de informação em relação aos assuntos tratados: duas páginas com seis matérias abordando temas internacionais, enquanto que, no segundo, observamos somente a existência de um espaço com duas pequenas matérias. Em comum, apenas a notícia da queda de um avião no Chile. Curiosamente, o título nos dois jornais é idêntico: “E se comêssemos o piloto”. E mais: a primeira frase também é a mesma, “Meio quilo de leite em pó, dois pacotes de biscoito, um caramelo e água da chuva e da neve.” O Globo, porém, indica a procedência da nota, que é traduzida do jornal El País. O Extra nada diz. Ético?

Domingo, dia 15 de Junho:
A grande maioria das matérias da parte de economia no Extra (que se encontra dentro do Primeiro caderno) tem uma abordagem muito mais social do que econômica, todas restritas ao estado do Rio: “Carona em ônibus interestadual para mais de 1 milhão de idosos”, “Trocando a favela pelo asfalto”, “Pela casa própria vale até sorteio”. No caso do Globo, existe um caderno inteiro dedicado à economia, com notícias mais complexas e relativas ao país inteiro e ao mundo, como, por exemplo, a matéria “G-8: petróleo e alimentos afetam PIB”.

Conclusão:
Em suma, pode-se dizer que, o Extra, independente do caderno ou da seção, aborda os fatos a partir de uma perspectiva social, que mostre a notícia afetando diretamente a vida do leitor. O Globo está muito mais ligado na imprudência a ser exposta a partir do sensacionalismo sócio-cultural, e o Extra, em contraste, expôs as notícias de uma forma que conota fofoca oficial, o jornal expõe a realidade como sendo triste ou simplesmente real.
Ambos os jornais deixam claro o seu objetivo e o público que pretendem atingir, e pelo fato do Extra fazer parte das organizações Globo, pode-se concluir que estas reconhecem a desigualdade social e se formulou para ganhos máximos dentro deste momento do país, e tornando-o assim não um momento, mas uma eterna realidade.

Externos:
- Link para o documentário “Muito além do cidadão kane”, que conta a história da globo. Dividido em 4 partes respectivamente:
http://br.youtube.com/watch?v=JA9bPyd1RKQ
http://br.youtube.com/watch?v=m0m1rmi-Ooc
http://br.youtube.com/watch?v=mERhb-SDnMo
http://br.youtube.com/watch?v=pAfAkTFs7wI

-Foto dos jornais analisados:

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Admirável mundo em transformação

Junho 3, 2008 · Não Há Comentários

Para inaugurar esse blog, nada como um fenômeno contraditório, que mostre o mundo complicado e interessante em que vivemos. O relatório divulgado hoje pela WAN (World Newspaper Association) mostra que, contra muitas previsões, a venda de jornais nos últimos cinco anos cresceu no mundo 9,39% e, no Brasil, 24,9%, um número forte que mostra a nossa arrancada de consumo recente. O maior mercado de jornais é a China com 107 milhões de exemplares vendidos diariamente. Atrás, vem Índia e Japão. Os EUA chegam em quarto com 51milhões de exemplares, menos da metade do total chinês.

Apesar disso, o New York Times que já havia aberto o seu conteúdo para qualquer leitor, decidiu também disponibilizar a sua API . Dessa forma, os usuários poderão usar aplicativos que filtrarão as notícias do Times da forma que quiserem. Em outras palavras, um dos jornais mais tradicionais do mundo desistiu de cobrar pelas suas notícias e de formatá-las a sua própria maneira.

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